O mercado de turismo global em 2026 não é mais sobre uma simples recuperação pós-pandemia; o cenário agora é de uma transformação estrutural profunda. Enquanto os números de voos e passageiros já superam os níveis de 2019, o setor percebe que as “regras do jogo” mudaram drasticamente. Entre o brilho dos holofotes na Tailândia e as novas diretrizes tecnológicas, quatro pilares devem definir quem ganha e quem perde neste ano.
Coreia do Sul conquista o público tailandês em Bangcoc
Recentemente, a Tailândia sediou a TITF, a maior feira internacional de turismo do país, atraindo cerca de 300 mil visitantes. A Organização de Turismo da Coreia (KTO) aproveitou o evento para consolidar o conceito de “K-Lifestyle”, unindo forças com 37 instituições, incluindo companhias aéreas e agências. A estratégia foi além da exposição: através de uma parceria com a plataforma Traveloka, a promoção “3+1” de hospedagens gerou conversões diretas em reservas.
O auge da participação coreana aconteceu no “2026 Korea Tourism Showcase”. O ator Park Bo-gum, embaixador honorário do turismo coreano, causou alvoroço ao compartilhar suas recomendações pessoais de viagem, conectando-se emocionalmente com os fãs locais. O evento ainda contou com o grupo de K-pop DICE e o influenciador Bangkokboy, que discutiram tendências de moda, gastronomia e beleza, reforçando que o interesse tailandês pelo país vai muito além dos pontos turísticos tradicionais.
A nova cara do mercado chinês e o luxo sob medida
Um dos grandes fatores de influência para 2026 é a reabertura do mercado chinês, mas esqueça o modelo antigo de grupos gigantescos e pacotes de baixo custo. Esse formato perdeu sustentabilidade. O viajante chinês agora busca propósito, temas específicos e experiências premium, seja em turismo médico, eventos culturais ou alta gastronomia. Para a indústria, o desafio não é apenas receber esses turistas, mas redesenhar os produtos para atender a esse público mais exigente e segmentado. Questões como vistos e malha aérea ainda pesam, mas o foco agora é a qualidade, não apenas a quantidade.
IA e dados: a tecnologia dita o ritmo
Se antes se discutia se a Inteligência Artificial era necessária, hoje a pergunta é como usá-la para não ficar para trás. Em 2026, a diferença entre as empresas está na capacidade de interpretar o rastro de dados deixado pelos clientes. A IA agora atua desde a previsão de demanda e precificação até a criação de roteiros personalizados. As agências de viagens estão deixando de ser meras intermediárias de reservas para se tornarem curadoras de conteúdo e tecnologia, onde a capacidade de entender o comportamento do consumidor vale mais do que o tamanho da empresa.
O crescimento do MICE e os desafios operacionais
Outro movimento forte é a aposta no setor MICE (Encontros, Incentivos, Conferências e Exposições). Destinos como os EUA e a Catalunha já intensificaram o marketing para atrair eventos corporativos, que ajudam a estabilizar a demanda fora da alta temporada. O conceito de “bleisure” — a mistura de trabalho e lazer — tornou-se o novo padrão, exigindo que hotéis e cidades se adaptem a esse viajante que trabalha de manhã e explora a cidade à tarde.
No entanto, nem tudo são flores. Apesar do aumento na oferta de voos, o setor enfrenta gargalos operacionais. Falta mão de obra qualificada em aeroportos, agências e no atendimento receptivo, o que pode comprometer a qualidade dos serviços e elevar custos. O risco em 2026 não é a falta de viajantes, mas sim a dificuldade logística de gerenciar esse volume crescente de forma eficiente. O sucesso dependerá, portanto, de como as empresas vão equilibrar essa alta demanda com a gestão de infraestrutura e inovação tecnológica.