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Escândalos que se repetem
A admissão, pelo
advogado Roberto Teixeira - compadre do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, que durante anos a fio morou, de graça, em uma casa de propriedade
dele - que pode chegar a US$ 5 milhões o valor total de seus contratos com a
VarigLog, entre honorários, custas judiciais e outras despesas, expõe sem
rodeios o quanto pessoas que gravitam em volta do poder central neste
governo costumam tirar proveito próprio de tal condição. O caso do compadre
presidencial é mais um entre outros, que também vieram à tona em escândalos
que pipocam desde o primeiro mandato de Lula. No caso específico, a
sociedade tem o direito de receber no mínimo explicações mais convincentes
do que aquelas que até agora foram pifiamente ensaiadas sobre mais este
intrigante e nebuloso negócio que veio à tona.
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Mesmo após tantos escândalos, o
governo continua a se envolver com pessoas que se locupletam com
recursos públicos e alheios. |
Estranhamente, para
dizer o menos, a empresa aérea foi vendida pela menor oferta, e existe forte
suspeita de interferência oficial na realização da operação, que precisa ser
esclarecida a fundo. É impossível admitir que, mesmo depois de tantos
escândalos em âmbito federal, como o do mensalão e o das sanguessugas, o
poder público continue a se envolver com pessoas e empresas que, de formas
eticamente questionáveis, muitas vezes criminosas, insistem em forrar o
bolso com dinheiro alheio ou indevido. No caso da Varig, o problema só se
mantém à tona porque, apesar dos esforços oficiais para minimizá-lo, muitas
dúvidas deixaram de ser esclarecidas. O desafio de fóruns como a Comissão de
Serviços de Infra-Estrutura do Senado é apurar até que ponto houve ou não
misturas de interesses.
O poder público precisa
estar direcionado sempre ao bem comum, de forma equânime e sem privilégios.
Ao mesmo tempo, a sociedade tem o direito de saber se há ou não um dedo
oficial na negociação da Varig e quem ganhou ou não com o acordo, de forma
lícita ou ilícita.
A simples possibilidade
de haver pressões oficiais junto às agências de regulação já é um risco à
autonomia com a qual deveriam atuar zelando para o funcionamento adequado de
serviços concedidos. Enquanto faltar fiscalização e sobrar esperteza, o
mesmo governo que não consegue cumprir bem suas atribuições mínimas
continuará se prestando para os ganhos fáceis de uns poucos protegidos, o
que é injustificável e até mesmo revoltante para a sociedade.

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