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  FERDINAND RAMOS PADREDI - Editorial - 28/06/2008

Escândalos que se repetem

A admissão, pelo advogado Roberto Teixeira -  compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que durante anos a fio morou, de graça, em uma casa de propriedade dele - que pode chegar a US$ 5 milhões o valor total de seus contratos com a VarigLog, entre honorários, custas judiciais e outras despesas, expõe sem rodeios o quanto pessoas que gravitam em volta do poder central neste governo costumam tirar proveito próprio de tal condição. O caso do compadre presidencial é mais um entre outros, que também vieram à tona em escândalos que pipocam desde o primeiro mandato de Lula. No caso específico, a sociedade tem o direito de receber no mínimo explicações mais convincentes do que aquelas que até agora foram pifiamente ensaiadas sobre mais este intrigante e nebuloso negócio que veio à tona. 

Mesmo após tantos escândalos, o governo continua a se envolver com pessoas que se locupletam com recursos públicos e alheios.

Estranhamente, para dizer o menos, a empresa aérea foi vendida pela menor oferta, e existe forte suspeita de interferência oficial na realização da operação, que precisa ser esclarecida a fundo. É impossível admitir que, mesmo depois de tantos escândalos em âmbito federal, como o do mensalão e o das sanguessugas, o poder público continue a se envolver com pessoas e empresas que, de formas eticamente questionáveis, muitas vezes criminosas, insistem em forrar o bolso com dinheiro alheio ou indevido. No caso da Varig, o problema só se mantém à tona porque, apesar dos esforços oficiais para minimizá-lo, muitas dúvidas deixaram de ser esclarecidas. O desafio de fóruns como a Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado é apurar até que ponto houve ou não misturas de interesses.

O poder público precisa estar direcionado sempre ao bem comum, de forma equânime e sem privilégios. Ao mesmo tempo, a sociedade tem o direito de saber se há ou não um dedo oficial na negociação da Varig e quem ganhou ou não com o acordo, de forma lícita ou ilícita.

A simples possibilidade de haver pressões oficiais junto às agências de regulação já é um risco à autonomia com a qual deveriam atuar zelando para o funcionamento adequado de serviços concedidos. Enquanto faltar fiscalização e sobrar esperteza, o mesmo governo que não consegue cumprir bem suas atribuições mínimas continuará se prestando para os ganhos fáceis de uns poucos protegidos, o que é injustificável e até mesmo revoltante para a sociedade.


 

 

 

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